ENEM 2014: Confira o modelo de Redação Perfeita "Nota Mil"

9 de nov de 2014


Como seria a redação perfeita? Professora especialista do QG do Enem elabora texto com base no tema ‘Publicidade infantil em questão no Brasil’.


Este ano os candidatos do ENEM tiveram que dissertar sobre um tema bem curioso: “Publicidade infantil em questão no Brasil”. Isso porque foi considerado uma surpresa por grande parte dos inscritos, que esperavam assuntos mais "pop", como a crise hídrica brasileira ou corrupção.

Confira como seria um modelo de redação "perfeita" segundo a professora do QG do ENEM:

Entre peões e iPhones 

Bola de gude. Peão. Peteca. Um dia, esses objetos fizeram parte do universo infantil, passados de uma geração a outra sem muita dificuldade. Hoje, em uma sociedade altamente globalizada, muitas crianças desconhecem esses brinquedos e têm outros anseios e desejos de consumo, que são ainda mais ampliados e influenciados pela propaganda. Nesse contexto, discute-se a publicidade infantil no contexto brasileiro e até que ponto ela pode ser abusiva. Cabe, então, avaliar a legitimidade e o impacto desse questionamento. 

Em primeiro lugar, é preciso analisar o poder que a publicidade tem de ajudar a construir a ideia de relevância social. Hoje, a cultura do ter em detrimento do ser encontra-se bastante enraizada, e o que se tem determina o que se é. Sabendo disso e da influência que as crianças, mais do que nunca, exercem sobre os adultos, parte do mercado vira-se para esse público, com jogos, roupas, emissoras e programas bastante atrativos. No Brasil, entretanto, tal questão torna-se extremamente problemática, pois, em um país com profundas desigualdades socioeconômicas, nem todas as crianças podem ter o que a propaganda vende. Para além do consumismo desenfreado, isso pode estimular o “bullying” e aprofundar a segregação social.  

Além disso, faz-se necessário atentar para o fato de que a publicidade se faz presente para além de comerciais e campanhas midiáticas. Ela está também presente de maneira camuflada, escondida em “merchandisings” de novelas e filmes, por exemplo. Um ídolo teen usando uma determinada marca de roupa é capaz de catapultar as vendas desse produto – por vezes, muito mais do que uma propaganda direta. Quando falamos de crianças, isso é ainda mais preocupante, uma vez que elas são altamente influenciáveis e estão em fase de formação de caráter e personalidade – atualmente, construídos por iPhones e “tablets”, ou pela ideia deles. 

Fica evidente, portanto, que, assim como na Biologia, na qual o mutualismo é a relação harmônica na qual um precisa do outro para sobreviver, é necessário um esforço mutualístico para preservar uma relação saudável entre a publicidade e o público infantil. Por meio de leis, o governo deve punir com multas propagandas deliberadamente abusivas. Já a família e a escola devem se unir para passar às crianças os valores mais essenciais que escapam à ideia do consumismo, bem como ajudar a construir consumidores críticos e conscientes. Afinal, peões e bolas de gude podem estar no passado, mas o cuidado com o nosso futuro – nossas crianças – não pode ser renegado.

~~ fonte: O Globo

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